25 fevereiro 2009

Porto seguro

Já não me importo 
Até com o que amo ou creio amar. 
Sou um navio que chegou a um porto 
E cujo movimento é ali estar. 

Nada me resta 
Do que quis ou achei. 
Cheguei da festa 
Como fui para lá ou ainda irei 

Indiferente 
A quem sou ou suponho que mal sou, 

Fito a gente 
Que me rodeia e sempre rodeou, 

Com um olhar 
Que, sem o poder ver, 
Sei que é sem ar 
De olhar a valer. 

E só me não cansa 
O que a brisa me traz 
De súbita mudança 
No que nada me faz.

Fernando Pessoa

7 comentários:

CybeRider disse...

Muito boa a foto. E o Fernando também. Grande Pessoa...

William Alexander López disse...

Preciosa fotografía y el texto que la acompaña es genial !

Abrazos

Adrian LaRoque disse...

Muito bom, boa escolha do poema.

ricardo emilio bianco disse...

hermosa foto y buen texto.

cabaret disse...

esse Pessoa toca lá mesmo...no âmago, de tal forma, que um pontão de rio se personifica nesta bela composição.

haideé disse...

Indiferente
quien soy o si estoy equivocado...

La vida es así un tramo al abismo para penetrar en el agua, símbolo de sentimientos... sin miedo, saltemos...
Un abrazo

tossan disse...

Magnífica as tuas fotos, principalmente esta! Abraço