08 dezembro 2008

Ainda o navio de proa erguida

ARIANE

Ariane é um navio.
Tem mastros, velas e bandeira à proa,
E chegou num dia branco, frio,
A este rio Tejo de Lisboa.

Carregado de Sonho, fundeou
Dentro da claridade destas grades...
Cisne de todos, que se foi, voltou
Só para os olhos de quem tem saudades...

Foram duas fragatas ver quem era
Um tal milagre assim: era um navio
Que se balança ali à minha espera
Entre as gaivotas que se dão no rio.

Mas eu é que não pude ainda por meus passos
Sair desta prisão em corpo inteiro,
E levantar âncora, e cair nos braços
De Ariane, o veleiro.


Miguel Torga

2 comentários:

Sobrinho disse...

Ganda foto tio

chapa disse...

Não consegui fotografar os arranha-céus de Nova Iorque, porque ainda não arranjei um dia suficiente claro ou uma tele suficientemente potente para lá chegar. Contento-me com a arquitectura cá do burgo e já é um pau.