03 outubro 2007

Bruma


Tenho em mim como uma bruma
Que nada é nem contém
A saudade de coisa nenhuma,
O desejo de qualquer bem.
Sou envolvido por ela
Como por um nevoeiro
E vejo luzir a última estrela
Por cima da ponta do meu cinzeiro.
Fumei a vida.
Que incerto
Tudo quanto vi ou li!
E todo o mundo é um grande livro aberto
Que em ignorada língua me sorri.
Fernando Pessoa

1 comentário:

cabaret disse...

"Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal."
Alceu Valença.
Além da letra esta imagem leva-me para o imaginário desta canção.
Hasta...siempre.