10 outubro 2005

sem rede







Os projectos musicais continuam a nascer por essas garagens. Pena que teimem em apostar na cultura global, abraçando linguas e culturas que não deviam ser as suas.

5 comentários:

Diafragma disse...

Olá. Vim aqui parar não sei como, e queria deixar-te os parabéns, pelas excelentes fotos, e pelo humor dos textos. Quanto ao crescimento das bandas de garagem e ao uso de outras línguas, é de facto um fenómeno que me começa a preocupar, pasa não dizer quase irritar. É que é espantoso a quantidade de títulos de blogs e de comentárias que usam o inglês, como se isso fosse normal. Tropeço neles a torto e a direito, e quando me lembro de uma experiência recente que tive em férias ainda me preocupa mais. Estava eu muito longe daqui e da nossa civilização, quando encontrei, num bar de hotel, cerca de 12 ou 15 espanhóis, entre os 18 e os 30 anos. Conversa puxa conversa veio à baila o problema da língua, ou das línguas. E para meu espanto, para todos eles era IMPENSÁVEL que, por exemplo, os filmes estrangeiros não fossem todos dobrados para espanhol. Ora isto posto ao lado da nossa cultura jovem é terrivelmente diferente, e não me parece que seja bom. Isto não é ser xenófobo, eu próprio me vejo a usar termos em inglês mas sobretudo no âmbito profissional, agora em textos normais?

Anónimo disse...

" cultura global, abraçando linguas e culturas que não deviam ser as suas..." existe aqui algo de contraditório ou não?
Podiamos sempre ter um concurso de fado ou folclore, que é bem nosso... temos pena mas o rock, o pop e outras tendências musicais são influências de outros países... nada se inventa e a globalização é uma realidade...
Aliás, muitas bandas cantam em português, sendo que o preocupante não será a utilização do inglês ou outra lingua, mas sim o chamado português-brasileiro ( seja lá o que isso for) ... e neste caso até os nossos actores abandonam a lingua de Camões para ganharem o tal dialecto que nem se encontra em nenhum dicionário...(quantas horas diária o povo tem de exposição a este "português)...

Concluindo o português erudito dos nosso avós não existe... já morreu como o latim, os dialectos têm destas coisas ... evoluem, recriam-se e evoluem (ou não) como a humanidade... o processo criativo não pode estar subjancente a conceitos ultrapassados de nacionalismos linguísticos..ou outros...

Quanto aos filmes as dobragens são algo que espero nunca aconteça em Portugal.
A representação é um todo...ver por exemplo o Hannibal (com o excelente Hopkins)dobrado em espanhol é reduzir em metade o trabalho do actor...já para não dizer absolutamente ridículo.

linhas muito soltas
by (ora aqui está o inglês)
Pedro Taleço

chapa disse...

A tua teoria da evolução da língua, parece-me certa. A forma como falamos, foi , é e será sempre, influenciada pelas culturas com que contactamos. Mas, essa verdade não implica que nos ponhamos de gatas a adorar o colonizador. Sim, porque é duma colonização que estamos a falar, não duma evolução, é uma colonização cultural que acontece todos os dias diante dos nossos olhos e dos nossos ouvidos. Resta a cada um de nós, encarar a coisa como entender. Eu prefiro defender a minha lingua e a minha cultura, apesar de gostar de contactar/admirar a cultura dos Outros e não de um único Outro.
A riqueza de cada povo e, aliás da humanidade no seu conjunto, reside na diversidade cultural. É essa diversidade que devemos cultivar e defender, em vez de nos deixarmos invadir pela monocultura anglo-americana.
Manda sempre.

Anónimo disse...

Na era da globalização (e este conceito será irreversível) todos somos colonizadores e indigenas (as TICs são pois as naus e caravelas).
O facto da lingua anglo-saxónica ser predominante e universal (ou pelo menos tender a ser)não nos faz obrigatoriamente consumidores da cultura britânica e americana...
A diversidade cultural no sentido contemporâneo é algo cuja dinamica não poderá ser compartimentada em fronteiras geográficas... (ou estaremos a falar de um novo conceito retorcido de censura?)

A identidade de um povo é mais do que macdonald´s e coca-cola...e será a inteligência de cada individuo a ditar a sua vunerabilidade à tal "colonização"... eu cá vejo tudo isto pela positiva e não tenho medo do bicho papão...
e como este processo ainda mal começou, não me choca nada comer um mac...desde que possa propor em troca uns caracóis...

e...voltando à música... será algo redutor dizer que as abordagens das bandas são meras colagens ...
... a influência existe dentro de uma originalidade e interpretação própria de cada autor.
Na letra e na música...umas cantam em português e outras não ...

finalmente... condensar a cultura anglo-saxónica com a cultura americana é reduzir estes 2 povos à intervenção no Iraque (que convenhamos tem pouco de cultural), ofendendo especialmente os britânicos (que em termos de identidade cultural não necessitam de lições de ninguém...)...



... não havia necessidade... até pq a tal permeabilidade a outras culturas só contribui para a tal diversidade que defendes... quanto à monocultura é como os telejornais...só acredita quem quer...

PT

Diafragma disse...

« ... as TICs são pois as naus e caravelas...» Achei graça a esta ideia que é, na minha opinião, 100% verdadeira. Mas acho que a razão do meu comentário inicial está um pouco a leste do rumo da discussão. Pessoalmente acho fundamental que conheçamos outras línguas. Só tenho pena de não dominar o alemão para melhor apreciar certas obras, por exemplo. O que eu referia no início é o uso permanente de frases em inglês no meio dos mais corriqueiros textos em todos os Blogs, geralmente de malta mais jovem. Desde o "enjoyed being there" quando se refere a uma ida à praia, até ao "thinking of you" no fim de um texto em português a agradecer a visita ao Blog. Isto para mim tem razões profundas que gostava de perceber, pois não vejo isto suceder em mais nenhum país da Europa excepto nalguns países nórdicos por razões que eles explicam. E que em parte vêm assustadoramente analisadas num livro que recomendo: Smart Mobs do Howard Rheingold.
Portanto, tentando explicar o meu "problema", não me preocupa muito que bandas usem Rock em inglês por exemplo, é o uso indiscriminado de palavras ou pequenas frases em inglês no meio de qq texto em português, como se não houvesse modo de dizer o mesmo na nossa língua. Por qualquer razão, muita gente se sente mais à vontade a exprimir-se dessa forma, o que, quando comparado com os países vizinhos, me parece muito estranho. Serão só as TICs? Ou haverá também alguma forma de elitismo, como no caso do francês na antiga Rússia?